Alerj aprova Lei do Devedor Contumaz para combater fraudes fiscais no RJ

Plenário da Alerj durante votação da Lei do Devedor Contumaz no Rio de Janeiro

Proposta liderada pelo presidente Douglas Ruas endurece cobranças contra empresas com débitos recorrentes de ICMS e IPVA

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a Lei do Devedor Contumaz nesta terça-feira (20). O texto final estabelece mecanismos jurídicos e fiscais objetivos para identificar e responsabilizar corporações que utilizam a inadimplência tributária deliberada como vantagem competitiva no mercado fluminense.

A tramitação avançou no parlamento após intensa articulação do presidente da Casa, Douglas Ruas (PL). Além disso, a iniciativa busca resguardar os cofres públicos estaduais e proteger polos econômicos fundamentais da Região Metropolitana, incluindo a capital, Duque de Caxias, Niterói e São Gonçalo, contra desequilíbrios causados por concorrência desleal.

Entenda como funciona a Lei do Devedor Contumaz

  • Piso financeiro de corte: O enquadramento atinge pessoas jurídicas com dívidas tributárias não regularizadas iguais ou superiores a R$ 15 milhões, desde que o montante supere o patrimônio conhecido do contribuinte.
  • Critérios de ICMS: Considera-se devedora contumaz a empresa com pendências consecutivas por quatro meses ou alternadas por seis meses dentro do intervalo de um ano.
  • Gargalo no IPVA: Frotistas e transportadoras com mais de 50% de veículos irregulares entram na mira direta das penalidades estaduais.
  • Punições duras: A Fazenda estadual poderá cassar a inscrição estadual da companhia e publicar os dados dos infratores em cadastro aberto à consulta pública.

Prazos para recurso e recusa de emenda parlamentar

Conforme estipula o Projeto de Lei 8.085/26, os contribuintes notificados pela fiscalização terão prazo de 30 dias para sanar pendências ou apresentar justificativa formal. Caso receba decisão desfavorável, o autuado ainda terá 15 dias para interpor recurso administrativo. O espaço para defesa prévia permanece resguardado em todas as etapas do procedimento.

Por outro lado, o plenário barrou a emenda apresentada pelos deputados Rodrigo Amorim, Anderson Moraes e Dr. Deodalto, todos do PL. A proposta visava abrandar as regras e trocar os índices objetivos por avaliações subjetivas de solvência, manobra duramente criticada pelo Instituto Combustível Legal (ICL). Portanto, o parlamento manteve a fórmula técnica original para atacar a dívida ativa fluminense, hoje avaliada em R$ 188 bilhões. O texto segue agora para sanção ou veto do Palácio Guanabara.