Lula é reeleito e comadará o país por mais quatro anos

Lula é reeleito e comadará o país pela quarta vez

Neste domingo, 25 de outubro de 2026, o Brasil testemunhou um marco estatístico e político inédito em sua história recente. Luiz Inácio Lula da Silva assegurou seu quarto mandato como Presidente da República. Além de estender sua longevidade no centro do poder brasileiro, o resultado de hoje quebra um tabu mantido desde o fim da ditadura militar: é a primeira vez desde a redemocratização que um candidato derrotado no primeiro turno consegue reverter a desvantagem matemática e vencer a eleição no segundo turno.

Do Sertão ao Sindicato

A narrativa política de Lula é indissociável de sua biografia pessoal. Nascido em 1945 no semiárido pernambucano, em Caetés (então distrito de Garanhuns), migrou para São Paulo em um “pau de arara” para fugir da seca e da pobreza, um reflexo do êxodo rural que moldou a demografia brasileira no século XX. Sua ascensão pública começou no ABC Paulista, o coração industrial do país na década de 1970.

Como torneiro mecânico e, posteriormente, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, Lula liderou greves massivas no final dos anos 70 que desafiaram abertamente o regime militar. Essa projeção o levou a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980 e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 1983, consolidando a espinha dorsal da esquerda brasileira moderna.

Chegada ao Planalto, Crises e Retornos

A jornada até a presidência exigiu adaptação. Após derrotas sucessivas em 1989, 1994 e 1998, Lula moderou seu discurso econômico com a “Carta ao Povo Brasileiro” e venceu o pleito de 2002. Seus dois primeiros mandatos (2003-2010) coincidiram com um boom global de commodities, permitindo um crescimento econômico robusto aliado a programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que retiraram milhões da extrema pobreza. O período, no entanto, foi fortemente abalado pelo escândalo do Mensalão em 2005.

Ainda assim, Lula deixou o governo com aprovação recorde e elegeu sua sucessora, Dilma Rousseff. Os anos seguintes trouxeram a Operação Lava Jato, que culminou em sua prisão em 2018 por 580 dias, retirando-o da corrida eleitoral daquele ano. O cenário mudaria drasticamente em 2021, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou suas condenações, restaurando seus direitos políticos e pavimentando o caminho para sua apertada vitória em 2022, o que lhe garantiu o terceiro mandato.

2026: A Virada Histórica no Segundo Turno

A campanha de 2026 apresentou um cenário adverso. Desgastado por desafios na articulação do Congresso e oscilações na economia global durante o terceiro mandato, Lula encerrou o primeiro turno em segundo lugar.

Até hoje, a regra não escrita das eleições presidenciais brasileiras sob a Constituição de 1988 era absoluta: quem vencia o primeiro turno, levava o segundo. Foi assim com Fernando Collor (1989), com o próprio Lula (2002 e 2006), com Dilma Rousseff (2010 e 2014), com Jair Bolsonaro (2018) e no retorno de Lula (2022). O vitorioso da primeira etapa sempre consolidava a vantagem.

Neste 25 de outubro, essa escrita foi quebrada. A campanha do PT conseguiu nas últimas três semanas mobilizar abstenções, formar alianças pragmáticas ao centro e focar fortemente em rejeições do adversário, invertendo a curva de intenção de votos na reta final. A vitória consolida Luiz Inácio Lula da Silva como a figura mais resiliente da política nacional, assumindo um novo governo que começará, mais uma vez, sob o peso de um país dividido.

Por Pablo Tenório Cavalcanti
Edito do Folha Metropolitana Rio