Carlos Januário assume o município da Baixada Fluminense, substitui mais de 70% do primeiro escalão e envia 14 processos à polícia.
A administração da Prefeitura de Japeri passou por uma reformulação profunda nesta semana, após a cassação do mandato de Fernanda Ontiveros. O novo chefe do Executivo, Carlos Januário (Solidariedade), exonerou 16 dos 21 secretários municipais em seus primeiros dias de governo. Consequentemente, a medida atinge mais de 70% dos cargos de primeiro escalão na cidade da Baixada Fluminense. Além disso, a nova gestão encaminhou 14 processos administrativos suspeitos diretamente para apuração da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
O mandatário assumiu o cargo oficialmente após a Câmara Municipal aprovar a cassação da prefeita por oito votos a três. Entre as pastas reformuladas estão Saúde e Educação, setores diretamente citados nas denúncias que motivaram o julgamento político no legislativo local. Conforme relatórios internos preliminares, a gestão anterior acumulava pedidos de esclarecimento sem resposta encaminhados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Portanto, equipes técnicas realizam auditorias em contratos de obras públicas, incluindo intervenções no bairro São Jorge.
Entenda a crise política na Prefeitura de Japeri
- Troca no primeiro escalão: Carlos Januário exonerou 16 de um total de 21 secretários municipais logo na primeira semana de gestão.
- Envio à Polícia Civil: A equipe técnica encaminhou 14 contratos e processos administrativos com indícios de irregularidades para investigação policial.
- Votação na Câmara: Os vereadores cassaram Fernanda Ontiveros por 8 a 3, enquanto o vice Januário foi absolvido por unanimidade.
- Foco das apurações: As apurações concentram-se em licitações da Secretaria Municipal de Educação e contratos de obras no bairro São Jorge.
Desdobramentos judiciais e manifestação da defesa
Por outro lado, a disputa pelo controle político da cidade segue em tramitação no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). A ex-prefeita Fernanda Ontiveros ingressou com recursos judiciais para anular a sessão plenária da Câmara, alegando impedimento formal de dois parlamentares votantes. No entanto, o Tribunal de Justiça não admitiu o pedido recursal recente por razões de procedimento processual. A defesa da ex-gestora sustenta que a cassação configura perseguição política sem base probatória e afirma que comprovará a legalidade de todos os atos administrativos praticados em sua gestão.