Uma operação conjunta do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e do Ministério da Fazenda resultou na derrubada de 506 plataformas clandestinas de apostas online no Brasil. A ofensiva foi deflagrada após um monitoramento técnico identificar redes coordenadas de publicidade ilícita operando ativamente em ferramentas de busca, redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair novos usuários a serviços não autorizados.
O trabalho de inteligência foi coordenado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab/Senasp), em cooperação com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A investigação mapeou 1.960 anúncios ativos vinculados a domínios suspeitos no Google em apenas 48 horas, além de anúncios patrocinados na Meta (Instagram e Facebook) que prometiam bônus financeiros diretos em dinheiro prática vedada pela regulamentação brasileira. No Telegram, os técnicos rastrearam 43 canais e grupos públicos que reuniam mais de 212 mil inscritos com foco no compartilhamento de links de afiliados e métodos de burla.
Os relatórios técnicos apontam que as redes clandestinas empregavam métodos de camuflagem algorítmica para furar a moderação das empresas de tecnologia. Entre as estratégias recorrentes estavam a criação de perfis comerciais com nomes genéricos (“páginas fantasmas”), o uso de páginas intermediárias de redirecionamento para ocultar a URL final da aposta e a migração rápida de servidores assim que um domínio sofria bloqueio.
Diante das constatações, o Executivo notificou as diretorias de conformidade (compliance) das plataformas digitais, impondo um prazo improrrogável de até 10 dias para a remoção total de campanhas publicitárias legadas. As companhias de tecnologia agora enfrentam a exigência de adotar filtros preventivos de transparência e bloqueio de palavras-chave, sob risco de sanções por conivência com a monetização de jogos não regulamentados no território nacional.