Relator do Conselho do MPF vota contra investigar Gonet no caso Master

O subprocurador-geral da República, Francisco de Assis Vieira Sanseverino, votou nesta sexta-feira (25) contra a abertura de uma investigação para apurar a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no âmbito do caso envolvendo o Banco Master. O voto foi proferido durante sessão extraordinária do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF).

O procedimento interno foi instaurado após a Polícia Federal (PF) encontrar mensagens no celular de Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira, que citavam o chefe do Ministério Público. A sessão foi presidida pelo vice-presidente do colegiado, o subprocurador-geral Nicolao Dino. Gonet não compareceu à reunião por ser o alvo da análise.

Em seu parecer, Sanseverino destacou que as mais de 200 páginas do relatório da PF não apresentam evidências de que tenha havido qualquer comunicação entre o procurador-geral e o ex-banqueiro. Segundo o relator, as tratativas se deram exclusivamente entre terceiros no caso, Vorcaro e seu ex-advogado, Ciro Soares.

“Não houve nenhum contato direto, nem indireto dele [Gonet], solicitação direta ou indireta de vantagem, de viagem ou o que seja. Trata-se de conversas entre terceiros sem qualquer participação do procurador-geral”, declarou Sanseverino.

O subprocurador também pontuou as limitações do colegiado, ressaltando que eventuais crimes de responsabilidade do PGR devem ser julgados pelo Senado Federal. Ao Conselho, caberia apenas a análise de indícios de crime comum, o que, na visão do relator, não se sustenta com os elementos atuais.

Sanseverino afastou, ainda, a hipótese de que Gonet teria tentado beneficiar Vorcaro ao pedir mais prazo, em março de 2026, para analisar o pedido de prisão do empresário. A justificativa acatada foi de que havia um excesso de documentação referente à 3ª fase da operação Compliance Zero, o que tornava inviável a análise no curto prazo de 72 horas.

As mensagens e o encontro em Londres

O estopim para o escrutínio no Conselho foram mensagens em que o ex-advogado Ciro Soares se apresentava a Vorcaro como um interlocutor próximo ao procurador-geral. Em março do ano passado, Soares enviou uma mensagem ao ex-banqueiro dizendo: “Liga aqui. Ele quer falar com você”, acompanhada de uma foto ao lado de Gonet.

A Polícia Federal também recuperou uma fotografia, enviada por Soares a Vorcaro em junho de 2025, na qual Gonet e o fundador do Banco Master aparecem sentados na mesma mesa durante um evento em Londres, no Reino Unido. Na imagem, que a PGR confirmou ter sido tirada em abril de 2024, os dois estão acompanhados de outros homens, havendo copos de uísque sobre a mesa e o procurador-geral fumando um charuto.

Paulo Gonet tem negado reiteradamente qualquer intimidade com o empresário. O procurador-geral afirmou que os elementos analisados não apontam para nenhuma irregularidade e esclareceu que esteve com Vorcaro em uma única ocasião, naquele mesmo mês de abril de 2024, durante um evento que reunia diversas outras autoridades.