A estreia do horário eleitoral gratuito marcou nesta sexta-feira (28) o início de uma nova fase na corrida pelo Governo do Rio. Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) aproveitaram os primeiros minutos na televisão para apresentar suas candidaturas e, ao mesmo tempo, definir os adversários políticos que pretendem enfrentar ao longo da campanha.
A estratégia de Paes é mirar as administrações que governaram o estado desde 2019. O candidato procura vincular Douglas Ruas aos governos de Wilson Witzel e Cláudio Castro.
Ruas adotou uma linha diferente. O presidente da Alerj tenta se colocar como uma opção de renovação e procura relacionar Paes a nomes tradicionais da política fluminense, principalmente Sérgio Cabral.
A primeira leva de programas também evitou transformar a eleição estadual em uma disputa predominantemente nacional. Os conteúdos ficaram concentrados em temas como segurança, saúde, transporte e infraestrutura.
Candidato do PSD terá mais tempo
Eduardo Paes dispõe de 4 minutos e 50 segundos no horário destinado à candidatura ao governo. O tempo maior permite que o ex-prefeito do Rio apresente um diagnóstico mais amplo sobre a situação do estado.
A segurança pública deve permanecer entre os principais assuntos explorados pela campanha.
Paes também pretende utilizar o programa eleitoral para questionar os resultados das administrações estaduais mais recentes, apontando problemas em diferentes setores.
A ofensiva política alcança ainda Rodrigo Bacellar, que presidiu a Assembleia Legislativa e foi escolhido inicialmente por Cláudio Castro como nome para a sucessão. Atualmente, Bacellar está preso durante uma investigação que envolve suspeitas de conexão entre integrantes da política e o crime organizado.
Ruas busca ampliar reconhecimento
Para Douglas Ruas, um dos principais desafios nesta etapa é tornar seu nome conhecido pelos eleitores.
A pesquisa Genial/Quaest citada pela reportagem de O Globo apontava que 59% dos entrevistados ainda não conheciam o candidato.
A estreia na televisão foi construída em torno da trajetória de Ruas. Ele falou sobre sua atuação política e apresentou o conceito de “Rio real”, citando moradores e regiões que, segundo a campanha, representam diferentes faces do estado.
Baixada Fluminense, São Gonçalo, Zona Norte, Zona Oeste e municípios do interior aparecem no discurso.
O candidato também destacou sua passagem pela administração pública de São Gonçalo e afirmou ter participado de projetos e obras em mais de 70 municípios.
Ruas foi secretário estadual de Cidades durante a gestão Cláudio Castro, mas optou por não citar diretamente o ex-governador no primeiro programa.
Campanha coloca grupos políticos em lados opostos
A propaganda de Ruas termina com uma tentativa de estabelecer uma divisão geracional na política do estado. A expressão “dois Rios e duas gerações” é utilizada para apresentar a eleição como uma escolha entre projetos diferentes.
Imagens de Paes com Lula, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão são utilizadas para reforçar a associação do adversário com figuras conhecidas da política fluminense.
Ruas, por sua vez, aparece ao lado de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.
Além da segurança pública, a propaganda do candidato do PL aborda transporte e políticas voltadas à saúde das mulheres. Na área de segurança, o discurso enfatiza uma atuação mais rigorosa no combate à criminalidade.
Decisão judicial altera participação de Garotinho
A composição do horário eleitoral também sofreu uma mudança após decisão do TRE-RJ.
Anthony Garotinho, do Republicanos, tinha previsão de 1 minuto e 6 segundos de propaganda, enquanto William Siri, do PSOL, teria 32 segundos.
Uma decisão tomada na quinta-feira (27), porém, retirou de Garotinho o acesso ao horário eleitoral gratuito e aos recursos do fundo eleitoral.
A partir da estreia, a televisão passa a ser mais uma frente de disputa entre os candidatos ao governo. Com maior exposição, a tendência é que os programas seguintes intensifiquem os embates e apresentem propostas para os principais problemas enfrentados pelos fluminenses.