A defesa do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho apresentou uma notícia-crime à Polícia Civil contra o advogado Victor Travancas, que já integrou a defesa do político. A representação solicita a apuração de possíveis crimes relacionados à falsificação e ao uso de documento falso.
Segundo os advogados de Garotinho, Travancas teria apresentado ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro uma procuração que o ex-governador afirma não ter assinado. O documento, datado de 22 de julho de 2026, teria sido utilizado para permitir o acesso a um processo de improbidade administrativa que tramita sob segredo de Justiça.
Defesa contesta autenticidade da procuração
De acordo com a representação, Garotinho havia concedido a Travancas, em maio deste ano, uma procuração específica para atuar em uma contestação relacionada à candidatura de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio.
A defesa afirma que esse documento não autorizava o advogado a atuar no processo de improbidade administrativa nem a elaborar uma nova procuração em nome do ex-governador.
A procuração questionada teria sido apresentada ao tribunal em 10 de agosto. Garotinho sustenta que não assinou nem autorizou o documento.
Os advogados também apontam semelhanças entre as assinaturas presentes nas duas procurações e solicitaram perícias para verificar a autenticidade do documento.
Defesa pede perícias
Entre as medidas solicitadas estão exames grafotécnicos, documentoscópicos e computacionais. O objetivo é verificar a origem da assinatura e identificar se houve eventual reprodução ou inserção digital de uma assinatura no documento apresentado ao tribunal.
A representação também menciona manifestações públicas atribuídas a Travancas contra o ex-cliente. Segundo a defesa, o advogado teria feito declarações sobre a situação eleitoral de Garotinho e afirmado que ele estaria inelegível.
No dia 19 de agosto, Travancas protocolou no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro uma notícia de inelegibilidade contra o ex-governador. A defesa de Garotinho sustenta que a medida teria utilizado informações provenientes do processo que tramita em segredo de Justiça.
Além da suposta falsificação, os advogados pedem que sejam investigadas possíveis violações de segredo profissional e difamação.
Defesa pede busca e apreensão
A notícia-crime também solicita que a Polícia Civil avalie a realização de busca e apreensão de equipamentos que possam conter arquivos, versões ou registros relacionados à elaboração da procuração contestada.
Os advogados pedem ainda que Travancas seja impedido cautelarmente de utilizar procurações em nome de Garotinho enquanto a autenticidade dos documentos é analisada.
As acusações apresentadas pela defesa ainda dependem de investigação e perícia. Até o momento, Victor Travancas não havia se manifestado sobre as alegações. A apuração deverá esclarecer a origem da procuração, a autenticidade das assinaturas e as circunstâncias em que o documento foi apresentado ao tribunal.