Tarcísio e Haddad protagonizam primeiro debate e levam disputa nacional para São Paulo

O primeiro debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) na corrida pelo Governo de São Paulo foi marcado por críticas, respostas diretas e a presença constante de temas da política nacional. Realizado pela Band neste domingo (9), o encontro reuniu apenas os dois candidatos e teve características de um confronto antecipado entre os principais nomes da disputa.

A economia foi um dos primeiros pontos de divergência. Tarcísio criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente em relação aos juros e às dificuldades que, segundo ele, São Paulo enfrenta para obter financiamentos. Haddad rebateu colocando a atuação do governo federal no centro da discussão e cobrou do governador reconhecimento por investimentos e parcerias da União com o estado.

Um dos momentos de maior tensão ocorreu durante a discussão sobre a desocupação da favela do Moinho, na região central da capital. Haddad questionou se Tarcísio havia agradecido ao governo federal pela cessão do terreno, que pertencia à União. O governador respondeu acusando o governo federal de dificultar operações de crédito para São Paulo.

Foto: Renato Pizzutto / Band

Segurança pública domina confronto

A segurança pública foi um dos principais temas explorados por Haddad. O candidato do PT afirmou que o Comando Vermelho estaria ampliando sua atuação no estado e fez críticas à estrutura da Polícia Militar. Também responsabilizou o ex-secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite, que disputa uma vaga ao Senado, por problemas na área.

Tarcísio reagiu apresentando números de sua gestão e afirmou que São Paulo registra os menores índices históricos de homicídios, latrocínios, roubos e furtos. O governador também citou mais de 500 operações realizadas em parceria com o Ministério Público e a Polícia Federal.

A situação da região conhecida como cracolândia também entrou no debate. Tarcísio defendeu as medidas adotadas pelo governo estadual e questionou Haddad sobre as ações realizadas quando o petista administrou a capital paulista.

Educação e saúde entram na disputa

Haddad criticou os resultados da educação estadual e afirmou que São Paulo perdeu posições em indicadores de qualidade do ensino médio.

O candidato também relacionou Tarcísio a grupos que, segundo ele, questionam mudanças climáticas e vacinação. O surto de sarampo registrado no estado foi citado durante o confronto.

Tarcísio rebateu as críticas e afirmou que era necessário “restabelecer a verdade” sobre os resultados de sua administração.

Lula e Bolsonaro aparecem no debate

Apesar de Tarcísio ter defendido inicialmente que Jair Bolsonaro não fosse colocado no centro da disputa estadual, o ex-presidente foi mencionado diversas vezes durante o encontro. O governador afirmou manter gratidão por Bolsonaro e chegou a enviar um abraço ao ex-presidente.

Haddad também citou Eduardo Bolsonaro ao questionar a influência do deputado na política paulista. Em outro momento, ironizou o boné utilizado por Tarcísio em manifestações relacionadas a Donald Trump nos Estados Unidos.

Tarcísio voltou a direcionar suas críticas ao governo Lula, principalmente nos temas econômicos e na relação entre União e estado.

Privatizações geram novo confronto

As privatizações realizadas durante a gestão Tarcísio também foram questionadas por Haddad. O candidato do PT criticou especialmente a venda da Sabesp e as mudanças envolvendo o sistema ferroviário paulista.

Tarcísio defendeu as medidas e afirmou que as desestatizações são adotadas quando o governo entende que podem melhorar os serviços públicos.

O governador também criticou administrações petistas e questionou Haddad sobre a Operação Lava Jato. O candidato do PT não respondeu diretamente à pergunta.

Discussão com Ricardo Nunes aumenta tensão

Outro momento de tensão ocorreu quando Haddad citou o filme “Dark Horse” e mencionou o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao abordar o financiamento da produção.

Haddad também fez críticas à gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que estava no local e apoia Tarcísio, questionando contratos relacionados ao serviço de wi-fi da cidade.

Após o debate, Nunes foi até o local onde Haddad estava e reagiu às declarações. O prefeito negou relação com irregularidades e cobrou responsabilidade nas acusações. Auxiliares precisaram intervir para evitar que a discussão avançasse.

Tarcísio e Haddad repetem disputa de 2022

A eleição de 2026 marca um novo confronto entre Tarcísio e Haddad. Os dois já haviam disputado o Governo de São Paulo em 2022, quando Tarcísio venceu a eleição.

Pesquisa Datafolha citada no texto-base e divulgada em julho apontava Tarcísio com 46% das intenções de voto, contra 30% de Haddad. Os demais nomes testados apareciam entre 4% e 5%.

O primeiro debate mostrou uma disputa marcada por temas estaduais e nacionais, com economia, segurança, educação, privatizações, Lula e Bolsonaro ocupando boa parte do confronto.