A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que tem como um dos principais alvos o senador e líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar, em Brasília e na Bahia, os agentes encontraram quantias expressivas em dinheiro vivo: cerca de US$ 55 mil e € 33 mil, além de uma coleção de relógios.
A operação apura um suposto esquema de fraudes financeiras e corrupção envolvendo o liquidado Banco Master. Segundo as investigações, a PF suspeita que o senador tenha utilizado sua posição de poder no Congresso Nacional para beneficiar o banco e seu ex-presidente, o banqueiro Daniel Vorcaro, em troca de vantagens indevidas.
Tráfico de influência no Senado
O inquérito aponta que Jaques Wagner teria atuado como um interlocutor estratégico para o Banco Master em pautas decisivas. O relatório da Polícia Federal destaca a interferência do parlamentar em temas como a PEC nº 65/2023 onde teria atuado na formulação da chamada “Emenda Master”, além de tentativas de destravar a venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB), transação que acabou sendo vetada pelo Banco Central.
Os investigadores também analisam a atuação do senador nos bastidores para esvaziar ou direcionar requerimentos na Casa, bem como na CPI do Master, blindando os interesses do grupo econômico.
O caminho do dinheiro
Em contrapartida à suposta blindagem política, a PF mapeou um fluxo de vantagens econômicas que teriam beneficiado o parlamentar e seus familiares. Entre os indícios levantados pela investigação estão:
- A compra de um apartamento de alto padrão avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador.
- Transferências que chegam a R$ 3,5 milhões destinadas a uma empresa de parentes do senador.
- Custeio de viagens em jatinhos particulares pertencentes ao Banco Master e a Augusto Lima, outro alvo da operação.
- O pagamento de R$ 63,3 mil por um camarote exclusivo em um show na cidade de Los Angeles (EUA), usufruído por Wagner e seus familiares.
As ordens judiciais cumpridas nesta quinta-feira foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O material apreendido nos endereços de Jaques Wagner, especialmente o dinheiro em espécie encontrado em seu flat na capital federal, passará agora por perícia. A Polícia Federal busca rastrear a origem das cédulas e aprofundar o conjunto probatório sobre a relação escusa entre o núcleo político e os executivos da instituição financeira.
Procurada pela reportagem, a assessoria do senador Jaques Wagner ainda não se manifestou sobre as apreensões.