Polícia Civil deflagra nova fase da Operação Torniquete em Duque de Caxias
A manhã desta sexta-feira (15) foi marcada por um duro golpe contra a logística do Comando Vermelho na Baixada Fluminense. Em mais uma investida da chamada Operação Torniquete, agentes da Polícia Civil ocuparam a comunidade Parque das Missões, em Duque de Caxias, com o objetivo de desarticular uma das principais bases de roubo de cargas e veículos do estado.
A força-tarefa foi liderada pela 59ª DP (Duque de Caxias), que contou com o peso operacional do Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB) e das especializadas em entorpecentes da Capital (DRE-CAP) e da Baixada Fluminense (DRE-BF).
O disfarce que falhou e o saldo da ação
Durante o cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão, o cerco policial resultou na captura de três suspeitos. Um dos momentos que mais chamou a atenção da equipe tática foi a tentativa de fuga de um dos criminosos: ele vestia o uniforme de uma empresa de serviços públicos da prefeitura de Duque de Caxias para tentar passar despercebido pelas barreiras policiais, tática que foi rapidamente frustrada pela inteligência no local.
Até o fechamento deste balanço inicial, os agentes contabilizavam um prejuízo considerável para a facção. Foram apreendidos:
Seis veículos que haviam sido roubados recentemente;
Quantidades expressivas de drogas prontas para comercialização;
Um artefato explosivo, evidenciando o poderio bélico do grupo local.
A geografia do crime: Por que o Parque das Missões?
O mapeamento que baseou a operação desta sexta-feira não foi feito ao acaso. Cruzamentos de dados e análises georreferenciadas revelaram que o Comando Vermelho transformou o Parque das Missões em um verdadeiro “bunker” logístico.
A explicação é puramente geográfica: espremida entre vias de escoamento rápido como a Rodovia Washington Luís e a Linha Vermelha, a comunidade oferece rotas de fuga ideais. O local funcionava simultaneamente como esconderijo para frotas roubadas, galpão a céu aberto para transbordo de cargas ilícitas, além de “porto seguro” para foragidos da Justiça fortemente armados.
“Essa modalidade criminosa é o motor financeiro das facções. O roubo de cargas financia a compra de armas para disputas territoriais e garante o pagamento de mesadas para lideranças presas e seus familiares,” aponta o relatório de inteligência da Polícia Civil.
O impacto histórico da Operação Torniquete
A ação no Parque das Missões é apenas um capítulo de uma ofensiva muito maior. Desde que foi instituída de forma permanente em setembro de 2024, a Operação Torniquete tem asfixiado os cofres do crime organizado no Rio de Janeiro.
Os números acumulados nos últimos anos impressionam e mostram a dimensão do mercado negro fluminense:
Mais de 1.000 criminosos presos em diversas fases;
Recuperação de bens (cargas e frotas) avaliados em R$ 53 milhões;
Asfixia financeira superior a R$ 70 milhões por meio de bloqueios judiciais de contas e bens de laranjas e receptadores.
A operação segue em andamento na região, e a Polícia Civil não descarta novas prisões ao longo do fim de semana, à medida que a varredura na comunidade avança.