O dólar apresentou pouca variação frente ao real nesta segunda-feira (20), em um dia marcado pela cautela dos investidores às vésperas do feriado de Tiradentes. A moeda norte-americana operou próxima da estabilidade, refletindo um ambiente de menor liquidez no mercado doméstico.
Na B3, o contrato de dólar futuro para maio atualmente o mais líquido no mercado brasileiro registrava leve alta de 0,10%, sendo negociado a R$ 4,9950, indicando um viés moderado de valorização no curto prazo.
O principal fator de atenção segue sendo o cenário internacional. Entre o fim de semana e o feriado no Brasil, o foco do mercado voltou-se para o exterior, especialmente diante das incertezas envolvendo um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que permanece sob risco. A tensão geopolítica reforça a busca global por ativos considerados mais seguros, como o dólar.
No cenário doméstico, o Banco Central do Brasil divulgou nesta manhã o Boletim Focus, que trouxe revisão nas expectativas do mercado. A mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 recuou de R$ 5,37 para R$ 5,30. Já a estimativa para a taxa básica de juros (Selic) ao fim de 2026 subiu de 12,50% para 13,00%, enquanto para 2027 avançou de 10,50% para 11,00%.
Na prática, os economistas passaram a enxergar menos espaço para cortes da Selic, atualmente em 14,75% ao ano, em função das incertezas externas, especialmente ligadas ao cenário de conflito. O diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos onde a taxa está na faixa de 3,50% a 3,75% segue como um dos principais fatores de atração de capital estrangeiro, contribuindo para manter o dólar em níveis mais baixos frente ao real nos últimos meses.
Na última sexta-feira, a moeda norte-americana no mercado à vista encerrou o pregão em queda de 0,20%, cotada a R$ 4,9836, reforçando o movimento recente de estabilidade.
Além disso, a proximidade do feriado reduz o volume de negociações, contribuindo para um cenário de menor volatilidade. A expectativa é de que, no curto prazo, o dólar continue sendo influenciado principalmente por fatores externos, enquanto o mercado brasileiro opera em ritmo mais lento devido ao feriado prolongado.