Quase 190 mil estudantes tiveram o trajeto entre casa e escola afetado por episódios de violência no estado do Rio de Janeiro. As interrupções no transporte público vêm dificultando o acesso às aulas e comprometendo o calendário escolar, impactando diretamente a rotina de milhares de famílias e o funcionamento das unidades de ensino.
Levantamento divulgado por organizações como o UNICEF indica que alunos da rede municipal enfrentam obstáculos frequentes para chegar às escolas, principalmente em regiões onde a circulação de ônibus e outros meios de transporte é suspensa por questões de segurança.
Entre janeiro de 2023 e julho de 2025, os episódios de interrupção foram provocados por diferentes fatores ligados à violência urbana. As barricadas lideram como principal causa, responsáveis por 32,4% dos casos. Em seguida aparecem ações ou operações policiais, com 22,7%. Também foram registradas manifestações (12,9%), ações criminosas no local (9,6%) e ocorrências envolvendo tiros ou tiroteios, que correspondem a 7,2% do total.
Em muitos desses episódios, as paralisações duram horas e afetam não apenas o deslocamento até a escola, mas também o retorno para casa, deixando estudantes expostos a situações de risco. O impacto vai além da mobilidade e atinge diretamente o aprendizado, com prejuízos no rendimento escolar e aumento do risco de evasão.
O cenário evidencia como a violência urbana tem influenciado o direito à educação no estado. Especialistas defendem a adoção de políticas públicas integradas nas áreas de segurança, transporte e educação, com o objetivo de garantir que o acesso às aulas não seja interrompido e que estudantes possam frequentar a escola de forma regular e segura.