O Brasil registrou um novo marco na proteção social ao alcançar 66,8% dos trabalhadores vinculados à Previdência Social, o maior índice já contabilizado no país. O resultado reforça a recuperação do mercado de trabalho e o avanço da formalização após anos de instabilidade econômica.
Apesar do desempenho histórico, o cenário ainda revela desafios estruturais. Atualmente, 33,2% da força de trabalho permanece fora do sistema, o que representa milhões de brasileiros sem acesso a benefícios essenciais, como aposentadoria, auxílio-doença e pensão por morte.
Entre os trabalhadores com carteira assinada, a cobertura previdenciária supera 90%, enquanto no setor público o índice se aproxima de 100%. Em contrapartida, a realidade dos informais ainda preocupa: menos de 25% contribuem regularmente, evidenciando a dificuldade de inclusão desse grupo no sistema.
A evolução recente mostra uma trajetória de recuperação. Antes da pandemia, a cobertura variava entre 60% e 62%, chegando a cair para cerca de 55% no período mais crítico. Com a retomada econômica e o aumento das contratações formais, houve crescimento de até 5 pontos percentuais, consolidando o recorde atual.
Os dados também apontam diferenças entre perfis de trabalhadores. As mulheres apresentam leve vantagem, com cerca de 68% de cobertura, contra 65% entre os homens. Já entre jovens de 18 a 24 anos, menos da metade contribui para a Previdência, enquanto entre trabalhadores acima dos 40 anos o índice ultrapassa 70%.
No recorte regional, Sul e Sudeste lideram, com taxas superiores a 70%, seguidos pelo Centro-Oeste, com cerca de 65%. Já Norte e Nordeste apresentam índices entre 50% e 60%, refletindo níveis mais elevados de informalidade.
Outro ponto de atenção é a irregularidade nas contribuições. Mesmo entre os inscritos, entre 20% e 30% não mantêm pagamentos contínuos, o que pode comprometer o acesso aos benefícios no futuro. Entre trabalhadores autônomos, mais de 60% ainda estão fora do sistema, reforçando o desafio de ampliar a inclusão previdenciária.
Especialistas avaliam que, embora o avanço represente um passo importante rumo à ampliação da proteção social, a consolidação desse cenário dependerá de políticas públicas capazes de reduzir desigualdades regionais, incentivar a formalização e garantir a contribuição contínua, especialmente entre jovens e trabalhadores informais.