Prefeitura de Teresópolis pede cortes no SUS e deixa dívida milionária

A Prefeitura de Teresópolis voltou a ser alvo de críticas após solicitar a redução do contrato do SUS com o Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (HCTCO), unidade privada mantida pela Fundação Educacional Serra dos Órgãos (Feso). O pedido, feito sob a justificativa de restrições orçamentárias, prevê cortes profundos na oferta de serviços à população, mesmo com o município encerrando 2025 deixando uma dívida de quase R$ 30 milhões com o hospital.

Segundo o HCTCO, embora o novo contrato ainda não tenha sido formalizado, a proposta da Secretaria Municipal de Saúde prevê a redução de 43 leitos de internação, passando de 150 para 107. A mudança impacta diretamente o atendimento, com menos 126 internações de média complexidade por mês e a diminuição de 76 cirurgias mensais.

O corte também atinge exames e consultas: são 11.088 exames de média complexidade a menos, 225 exames de alta complexidade reduzidos e queda no número de consultas ambulatoriais.

Em nota, enviada ao jornalista Bruno Rezende, o HCTCO afirma que todos os serviços vêm sendo prestados regularmente e que não há ociosidade de leitos que justifique a redução. A direção do hospital ressalta ainda que o convênio com o município sofre, há anos, com subfinanciamento crônico, já que os repasses não acompanham a inflação de insumos médicos, reajustes salariais nem os custos operacionais básicos.

O hospital aponta que a dívida total da Prefeitura de Teresópolis chega a R$ 123.201.231,28. O valor inclui R$ 58,6 milhões referentes a débitos entre 2013 e 2017, R$ 34,7 milhões do ano de 2024 e R$ 29,7 milhões acumulados apenas em 2025, já na gestão do prefeito Leonardo Vasconcellos.

Para profissionais da área, a tentativa de reduzir serviços enquanto o município mantém um passivo milionário revela um problema estrutural na gestão da saúde pública local.

Entre moradores que dependem do SUS, a notícia gerou preocupação e revolta.

A aposentada Maria Aparecida Souza, de 68 anos, conta que já enfrentou dificuldades para conseguir atendimento. “Eu faço exames no HCTCO pelo SUS. Se já demora hoje, imagina com menos leitos e menos exames. Quem depende da saúde pública vai pagar essa conta”, afirmou.

O motorista Carlos Henrique Lima, de 42 anos, critica a postura da Prefeitura. “A Prefeitura diz que não tem dinheiro e deixa quase R$ 30 milhões em dívida só em 2025. Por que gastaram aquele dinheiro todo com Natal? Aí agora, entederam que a solução é cortar recursos da saúde? Isso não faz sentido”, disse.

Já a dona de casa Fernanda Oliveira, moradora do interior do município, teme o impacto direto na rotina das famílias. “Muita gente aqui não tem plano de saúde. Reduzir cirurgias e exames é brincar com a vida das pessoas”, desabafou.

O caso expõe mais uma vez a fragilidade da gestão municipal da saúde em Teresópolis. A combinação de dívidas milionárias com a proposta de redução de serviços essenciais do SUS levanta questionamentos sobre prioridades administrativas e o impacto social das decisões tomadas pela Prefeitura.

A informação foi divulgada com exclusividade pelo jornalista Bruno Rezende, da página “Bruninho Repórter”, e reacende o debate sobre a condução da política de saúde no município e seus reflexos diretos na vida da população.