Moradores da Penha levam 64 corpos a praça após megaoperação no Rio de Janeiro

Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, levaram dezenas de corpos para a Praça São Lucas durante a madrugada desta quarta-feira, após uma megaoperação policial.

Segundo balanço oficial, a operação, que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das forças civis e militares, deixou 64 mortos, sendo 60 suspeitos de integrar facções criminosas e quatro policiais. Ainda não se sabe se todos os corpos levados à praça estão incluídos na contagem oficial, o que pode elevar o número real de óbitos.

A operação, chamada Operação Contenção, teve como alvos os complexos da Penha e do Alemão, historicamente controlados pelo Comando Vermelho. Moradores relataram que muitos corpos foram encontrados em mata da região com marcas de tiros ou facadas. A identificação está sendo feita no Instituto Médico-Legal, com atendimento especial às famílias.

A ação provocou sensação de “zona de guerra” em áreas densamente habitadas, com mais de 100 mil moradores. Escolas foram fechadas, transporte afetado e ruas bloqueadas. Organizações de direitos humanos pedem investigação transparente e presença de peritos independentes, diante do grande número de vítimas.

Se confirmado que o número de mortos ultrapassa os 64 contabilizados, esta poderá ser a operação policial mais letal da história do Rio, superando a Chacina da Vila Cruzeiro e a da Jacarezinho. A sociedade exige respostas, transparência e responsabilização das autoridades em caso de excessos.