Bacellar intensifica agenda como governador interino

Com o governador Cláudio Castro fora do país em compromissos oficiais, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), tem aproveitado sua interinidade no cargo de governador para reforçar sua presença no interior do estado e construir uma imagem de liderança estadual. A movimentação, interpretada nos bastidores como um ensaio para uma eventual candidatura ao governo em 2026, tem incluído uma agenda intensa de visitas, uso de aparato governamental e embates com adversários políticos, como o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).

Desde que assumiu interinamente o Palácio Guanabara, Bacellar adotou uma estratégia que combina visibilidade institucional com articulação política regional. Nos últimos dias, visitou municípios como Teresópolis, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes — sua cidade natal —, onde fez anúncios, reuniões com prefeitos aliados e prestigiou eventos públicos. O objetivo é claro: consolidar apoio no interior e se apresentar como uma alternativa viável à sucessão de Castro, seu aliado político.

Em meio à agenda pelo estado, Bacellar subiu o tom contra Eduardo Paes, atual prefeito da capital e nome forte do PSD fluminense. Em declarações recentes, criticou o que chamou de “hegemonia política carioca” e defendeu maior equilíbrio na distribuição de investimentos e atenção por parte do governo estadual. O embate sinaliza um reposicionamento político do presidente da Alerj, que busca se distanciar da influência da capital para conquistar espaço entre prefeitos e lideranças do interior — justamente onde Castro também estruturou sua base política.

A movimentação de Bacellar tem provocado repercussões não apenas pela intensidade das ações, mas também por seu simbolismo político. O deputado vem aproveitando as constantes viagens internacionais de Castro — que tem marcado presença em fóruns e eventos nos Estados Unidos e Europa — para ganhar musculatura institucional. Analistas apontam que a interinidade recorrente tem funcionado como um “laboratório de poder”, permitindo que Bacellar teste discursos, costure alianças e se familiarize com a máquina administrativa estadual.

Além da crítica a Paes, Bacellar tem reforçado pautas ligadas à segurança, infraestrutura e assistência social, temas que ressoam nas cidades fluminenses e são considerados estratégicos para uma eventual plataforma de campanha. Embora ainda evite declarações públicas sobre 2026, sua postura e ritmo de atuação indicam que o projeto está em curso.

Aliados veem nas ações de Bacellar uma tentativa de evitar o rótulo de “candidato outsider” e, ao mesmo tempo, se descolar do perfil exclusivamente legislativo. Para isso, ele aposta em gestos simbólicos de gestão — como a presença constante em agendas executivas — e no fortalecimento de uma imagem de proximidade com o interior do estado.

A disputa pelo Palácio Guanabara, ainda distante no calendário eleitoral, começa a se desenhar nos bastidores. E Bacellar, ao que tudo indica, quer largar na frente.