Justiça revoga prisão de secretário e apura falta de ônibus na eleição

Garagem de transporte coletivo com veículos parados durante apuração sobre falta de ônibus no dia da eleição

Tribunal Regional Eleitoral cancela mandado contra titular da pasta após fim do pleito, enquanto Polícia Federal investiga suposto boicote ao transporte.

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) revogou nesta segunda-feira (26) o mandado de prisão contra o secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza. No entanto, o tribunal manteve a investigação sobre a falta de ônibus no dia da eleição. A decisão judicial ocorreu logo após o encerramento da votação do segundo turno presidencial. Conforme o desembargador Mauricio Kertzman, a ordem perdeu a finalidade prática porque buscava restabelecer imediatamente a circulação dos veículos durante o pleito.

O episódio repercute diretamente entre lideranças partidárias no Estado do Rio de Janeiro. Além disso, o caso mobilizou parlamentares na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Em cidades com grande dependência do transporte coletivo, como Duque de Caxias, Niterói e São Gonçalo, o Ministério Público Eleitoral (MPE) e as forças de segurança reforçaram o monitoramento preventivo. Desse modo, as autoridades fluminenses buscam evitar que práticas semelhantes de restrição de frota prejudiquem a locomoção do eleitor metropolitano.

Entenda o caso e a apuração sobre a falta de ônibus no dia da eleição

  • Objetivo da medida: A prisão visava restabelecer 100% da frota sob pena de multa de R$ 1 milhão por hora, porém perdeu o flagrante com o fim da votação.
  • Viagem internacional: O secretário municipal cumpria agenda oficial na França e, portanto, não chegou a ser detido pela Polícia Federal.
  • Prazo judicial: A Justiça Eleitoral concedeu 48 horas para a prefeitura e as concessionárias entregarem escalas, ordens de serviço e dados de GPS.
  • Tipificação penal: A Polícia Federal apura crimes como embaraço ao direito de voto, recusa de transporte público obrigatório e desobediência a ordens judiciais.

Desdobramentos da investigação e posição da administração municipal

Conforme determinou a presidência do tribunal, a Procuradoria Regional Eleitoral e a Polícia Federal conduzirão os inquéritos criminais. O prefeito Bruno Reis declarou que as empresas normalizaram a operação às 10h30 da manhã de domingo. Além disso, a gestão municipal argumentou que atrasos ocorreram para remover propagandas eleitorais irregulares afixadas nas garagens.

Por outro lado, o Partido dos Trabalhadores (PT) sustenta que a redução da frota provocou longas filas e dificultou o acesso às urnas na capital baiana. Em contrapartida, as concessionárias de transporte afirmam que colaboram com o fornecimento dos registros operacionais. No Rio de Janeiro, integrantes do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) já utilizam o precedente para exigir planos antecipados de transporte metropolitano para os próximos pleitos.