MP Eleitoral pede multa e acusa Meta de violar determinações do TSE no 2º turno

Sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília em julgamento sobre cumprimento de determinações do TSE pela Meta.

Parecer técnico aponta tratamento desigual na inteligência artificial e distorções algorítmicas entre as campanhas presidenciais.

A Procuradoria-Geral Eleitoral concluiu que a Meta descumpriu determinações do TSE durante o segundo turno presidencial. Conforme o parecer, a dona do Instagram, Facebook e WhatsApp violou a isonomia do pleito. Essa disparidade afeta diretamente a circulação de notícias em colégios eleitorais decisivos. Entre eles destacam-se a capital fluminense, Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias.

Além disso, o órgão ministerial pediu a aplicação imediata de sanções financeiras. A cobrança deve valer desde o momento inicial de cada irregularidade. Segundo o ministro relator Marco Aurélio Bellizze, a penalidade diária pode atingir um milhão de reais. Paralelamente, o tribunal investiga a atuação suspeita de 255 contas inautênticas no ecossistema digital.

Violações graves às determinações do TSE

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva apresentou denúncias formais contra as falhas da plataforma:

  • Inversão de sentido em traduções: O sistema traduzia termos críticos a Flávio Bolsonaro, como “futuro presidiário”, para o termo “future president”.
  • Geração tendenciosa por IA: A busca por termos genéricos como “presidente” e “eleições” gerava imagens automáticas com o número 22.
  • Falta de transparência: A plataforma não individualizou os anúncios suspensos nem enviou relatórios técnicos no fuso de Brasília.
  • Risco de punição severa: A multa diária prevista pelo ministro relator varia entre quinhentos mil reais e um milhão de reais.

Defesa da empresa e próximos passos do julgamento

Por outro lado, a Meta protocolou manifestação sustentando que respeitou todas as decisões judiciais. A empresa alegou que reverteu restrições na conta publicitária do candidato petista. Além disso, a companhia informou a suspensão de anúncios eleitorais não autorizados no sistema.

No entanto, a Procuradoria sustentou que meras declarações genéricas não comprovam a neutralidade prática da plataforma. Em polos metropolitanos vitais como Nova Iguaçu e Belford Roxo, o consumo digital molda o voto popular. Diante disso, o Tribunal Superior Eleitoral deve analisar o mérito das multas nos próximos dias.