O presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou nesta sexta-feira (2 de outubro) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará de debates no 2º turno. Sobre a ausência de Lula no 1º turno, Edinho afirmou não haver novidade, enfatizando: “O presidente Lula nunca disse que iria a debate no 1º turno. Ponto. Essa é uma realidade”.
A declaração foi dada a jornalistas em São Paulo, onde Edinho também projetou um provável enfrentamento de Lula contra Flávio Bolsonaro (PL) na próxima etapa das eleições. Ele ponderou, no entanto, que o presidente “talvez não consiga ir a todos os debates que ele for convidado” no 2º turno.
A manifestação ocorre após o cancelamento do debate da TV Globo, previsto para o dia 1º de outubro, motivado pelas desistências de Lula e Flávio Bolsonaro, bem como por decisões judiciais que afetaram as regras do encontro. Flávio Bolsonaro alegou “censura” da Justiça ao justificar sua ausência.
Decisões judiciais e regras para debates
A TV Globo cancelou o evento após receber duas intimações horas antes. A primeira, assinada pela ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), atendeu a um pedido da coligação de Lula e determinou a suspensão da regra que previa uma cadeira vazia para candidatos ausentes.
Edinho Silva defendeu a medida, argumentando: “Para quê uma cadeira com o nome dele, já que ele falou que não iria? Pôr uma cadeira lá e fazer pergunta a ele, vai me desculpar: aí o debate deixa de ser um instrumento de confronto de ideias e passa a ser um instrumento para prejudicar o candidato”. O dirigente petista usou uma analogia para explicar o posicionamento: “Se você convidou alguém para sua casa, a pessoa fala ‘eu não vou na sua casa’, você vai pôr a cadeira e vai servir café, almoço e janta?”.
Além da retirada da cadeira, a coligação de Lula solicitou direito de resposta por declarações do candidato sobre mulheres, pedido que, segundo Edinho, não foi atendido pela ministra, causando “irritação” no partido. “Se alguém mente, se alguém agride, tem que ter o direito de resposta”, afirmou.
A segunda intimação, do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a um pedido do partido Solidariedade e determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate, mesmo seu partido tendo apenas um representante no Congresso Nacional. “Se tivesse debate, certamente, o presidente Lula seria uma vítima do Renan [Santos]. É um dos candidatos que mais atacam”, comentou Edinho.
Proposta de mudança na legislação
Durante a entrevista, o presidente do PT defendeu alterações nos critérios para a participação em debates. Pela lei atual, emissoras devem convidar candidatos de partidos com ao menos cinco representantes no Congresso.
“Tem que mudar a legislação”, defendeu Edinho. “O critério para você convidar alguém para o debate tem que ser a pontuação nas pesquisas”. No cenário de 2026, além de Lula e Flávio, apenas Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) cumprem o requisito legal de representatividade parlamentar.
Edinho Silva também avaliou positivamente a participação de Lula no “Flow Podcast”, classificando-a como um “acerto”.