A AGU (Advocacia-Geral da União) acionou nesta quinta-feira (1º.out.2026) a PF (Polícia Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) para que investiguem um suposto financiamento do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a redes e grupos que atuariam no Brasil para deslegitimar o STF (Supremo Tribunal Federal).
A notícia-crime foi encaminhada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.O pedido ocorre a 3 dias do 1º turno das eleições gerais de 2026, marcado para domingo (4.out).
Segundo a representação, reportagens e relatórios indicam a destinação de cerca de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,4 milhões) pelo Departamento de Estado norte-americano a organizações e projetos voltados a contestar a atuação institucional da Suprema Corte brasileira e interferir no debate público nacional.
O que diz a AGU
Na manifestação enviada aos órgãos de investigação, a AGU sustenta que:
- Houve violação de soberania: a eventual injeção de recursos estatais estrangeiros em campanhas de desinformação ou ações coordenadas contra poderes constituídos configura atentado à soberania brasileira;
- Interferência institucional: as ações financiadas teriam o objetivo deliberado de tensionar as relações entre os Poderes e desacreditar o Judiciário brasileiro;
- Momento eleitoral crítico: a AGU alerta para o potencial desestabilizador do suposto fluxo financeiro durante o processo eleitoral em curso no país.
A AGU pede que a Polícia Federal instaure um inquérito específico para identificar os beneficiários locais do repasse e o destino dos recursos, além da apuração de crimes contra o Estado Democrático de Direito e lavagem de capitais.
Contexto de atrito
O movimento da AGU se soma a uma série de episódios de atrito entre a Casa Branca sob gestão de Trump e o Supremo brasileiro. Nos últimos meses, congressistas norte-americanos e membros da administração republicana têm direcionado críticas reiteradas às decisões da Corte sobre moderação de conteúdo em redes sociais e processos contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Até a publicação desta reportagem, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e a Casa Branca não haviam se manifestado formalmente sobre o teor da representação.