No Setembro Verde, idosos podem ser doadores vivos de órgãos no Brasil

A idade avançada já não representa um impeditivo absoluto para a doação de órgãos em vida no Brasil. Em meio à campanha do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, especialistas e centros de transplante reforçam que indivíduos acima de 60 anos, desde que apresentem bom estado de saúde clínica, estão aptos a doar órgãos duplos ou partes regeneráveis principalmente um dos rins ou uma fração do fígado para salvar familiares que enfrentam falência orgânica.

A seleção do doador vivo sênior baseia-se no conceito de idade biológica e capacidade funcional, e não apenas na data de nascimento. Antes de qualquer aprovação, o candidato idoso é submetido a uma rigorosa bateria de exames clínicos, cardiovasculares, laboratoriais e de imagem, além de avaliação psicológica aprofundada. O protocolo verifica minuciosamente a higidez dos órgãos a serem transplantados e descarta condições crônicas descompensadas, como diabetes não controlada, hipertensão severa, neoplasias ativas e declínio significativo da filtração renal, assegurando que o procedimento não comprometa sua longevidade nem sua autonomia.

A doação intervivos no país é regida pela Lei de Transplantes (Lei nº 9.434/1997), que autoriza a prática preferencialmente entre parentes consanguíneos de até quarto grau e cônjuges, exigindo prévia autorização judicial em casos de doadores sem laços de parentesco. Pelo protocolo de bioética e segurança cirúrgica, a integridade física do doador tem primazia irrestrita sobre as necessidades do receptor: a intervenção só é executada quando os riscos pós-operatórios calculados forem mínimos e clinicamente aceitáveis.

A desmistificação do tema ganha relevância diante da fila de espera por transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS), que conta com mais de 40 mil pacientes à espera de um órgão sendo a demanda por rins responsável pela ampla maioria dos casos. Profissionais de saúde destacam que desconstruir o estigma da idade durante as ações do Setembro Verde amplia as alternativas terapêuticas dentro do círculo familiar, transformando idosos plenamente funcionais em agentes ativos na preservação de vidas.