O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) agendou para o dia 25 de setembro a abertura da deliberação sobre o procedimento administrativo que envolve o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O colegiado formado por subprocuradores-gerais avaliará o teor de diálogos recuperados pela Polícia Federal no telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tornados públicos após determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O objetivo da sessão interna é averiguar se há elementos materiais que justifiquem a abertura de uma apuração disciplinar formal ou se as citações configuram motivo de impedimento e suspeição para a atuação de Gonet em investigações conexas ao Banco Master.
Os principais pontos levantados nos relatórios da PF:
- Menções diretas: Mensagens em que Vorcaro questiona interlocutores se haveria possibilidade de articulação com “Paulo e Andrei”, termos que os investigadores associaram a Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
- Intermediação de chamadas: Registros telefônicos apontam contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares, nos quais a perícia policial identificou conversas breves entre o banqueiro e a linha utilizada pelo PGR.
A manifestação da Procuradoria-Geral da República:
Em ofício encaminhado ao subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino, Paulo Gonet rebateu as suspeitas e defendeu sua plena aptidão técnica e moral para continuar conduzindo os processos:
- Encontro presencial único: Gonet informou ter visto Vorcaro pessoalmente em apenas uma oportunidade, em abril de 2024, durante um fórum institucional promovido pelo Grupo Voto em Londres, evento que contava com a presença de diversas autoridades públicas brasileiras e patrocínio formal da instituição financeira.
- Telefonema pontual: O PGR detalhou que atendeu a um telefonema rápido em março de 2025 por iniciativa do advogado Ciro Soares, que repassou o aparelho a Vorcaro; na ocasião, o empresário informou sobre tratativas de aquisição do BRB, recebendo apenas uma saudação protocolar de congratulações, sem qualquer discussão de mérito jurídico.
- Ausência de ilicitude: A defesa sustenta que a abordagem ocorreu antes de qualquer ciência pública ou documental sobre práticas ilegais e destacou que a PGR adotou medidas cautelares e rejeitou propostas de colaboração premiada do investigado ao longo da instrução processual.
O julgamento interno ocorre em meio a um ambiente de atrito institucional entre integrantes dos tribunais superiores e órgãos de controle, que debatem a higidez dos procedimentos investigativos e a atuação das partes nas apurações financeiras.