Anvisa aprova novo remédio oral para prevenção das crises de enxaqueca

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Aquipta (atogepanto), novo medicamento oral de uso contínuo voltado à prevenção de crises de enxaqueca em pacientes adultos. Fabricado pela biofarmacêutica AbbVie, o fármaco é indicado para pessoas que sofrem com ao menos quatro episódios de dor por mês, abrangendo tanto quadros episódicos quanto crônicos.

A droga pertence à classe dos chamados gepantitas (ou gepants), que trazem uma abordagem terapêutica direcionada a uma via molecular específica da doença neurológica.

Como atua a substância

  • Bloqueio do CGRP: O princípio ativo age inibindo seletivamente a ligação do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) aos seus receptores neuronais. Esse neurotransmissor é um dos principais desencadeadores do processo inflamatório e da transmissão dos sinais de dor no cérebro.
  • Uso preventivo contínuo: Ao contrário de analgésicos comuns tomados no início da dor, o atogepanto é administrado em comprimido diário para reduzir a probabilidade e a frequência de novas crises.
  • Menor dependência de analgésicos: A profilaxia visa diminuir a necessidade de remédios abortivos, evitando o efeito rebote (dor de cabeça causada pelo uso excessivo de medicações comuns).

Evidências clínicas de eficácia

O aval da agência reguladora teve como base dois ensaios clínicos internacionais de fase 3:

  • Estudo Advance: Conduzido com 910 participantes diagnosticados com enxaqueca episódica, o estudo registrou queda média de 4,1 dias mensais com cefaleia no grupo tratado, frente a 2,5 dias no grupo que recebeu placebo. Quase 60% dos pacientes reduziram pela metade a frequência de dor.
  • Estudo Progress: Focado em pacientes com enxaqueca crônica (15 ou mais dias de cefaleia por mês), apontou redução média de 6,9 dias mensais de dor ao longo de 12 semanas de intervenção.

A enxaqueca acomete cerca de 15% da população global o equivalente a mais de 30 milhões de pessoas no Brasil gerando limitações funcionais severas na rotina profissional e pessoal. Após o aval sanitário, o Aquipta passará pela definição de preço teto pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes de chegar às farmácias brasileiras.