O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), consolida-se como o principal adversário de Eduardo Paes (PSD) na corrida pelo Palácio Guanabara. Em movimento de ascensão nos levantamentos recentes, o candidato do PL intensifica a articulação com o eleitorado evangélico e lideranças conservadoras para diminuir a vantagem do ex-prefeito.
O panorama nas pesquisas
Embora utilizem metodologias e períodos de coleta distintos, os principais institutos convergem ao apontar Ruas isolado na segunda colocação:
- AtlasIntel: Ruas atinge 27,6% no cenário com Anthony Garotinho (10,7%) e sobe para 32,6% na simulação sem o ex-governador. Paes lidera com 43,6% e 43,9%, respectivamente.
- Real Time Big Data: Ruas avançou de 16% em julho para 21% em setembro (+5 p.p.), enquanto Paes oscilou dentro da margem de erro, de 37% para 35%.
- Datafolha: Paes registra 41% das intenções de voto, contra 19% de Ruas.
- Quaest: Paes lidera com 37%, seguido por Ruas com 14%.
Bastiões eleitorais e segmento religioso
A coordenação de Ruas aposta na Baixada Fluminense e no interior fluminense como alavancas estratégicas para compensar a força de Paes na capital. O avanço coincide com a aproximação junto a lideranças evangélicas locais e pastores, explorando agendas voltadas à segurança pública, proteção da família e pautas de costumes.
Com base eleitoral originária em São Gonçalo e histórico na Secretaria de Estado de Cidades, Ruas busca transformar a capilaridade metropolitana em uma rede ampla de apoios com prefeitos e deputados.
Potencial de votos e aliança bolsonarista
O relativo desconhecimento do candidato perante o eleitorado amplo funciona tanto como oportunidade quanto como desafio de tempo:
- Margem para crescer: Na sondagem espontânea da Real Time Big Data, 47% dos eleitores não citam nenhum candidato e Ruas marca 10%, indicando um bolsão expressivo de votos ainda sem dono definitivo.
- Palank bolsonarista: A campanha programa ao menos quatro agendas com o senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado para impulsionar a transferência de votos do eleitorado de direita e consolidar a marca nacional do partido.
Reação de Paes e segundo turno
O avanço de Ruas alterou a tática da equipe de Eduardo Paes, que elevou o tom das críticas na propaganda eleitoral com questionamentos sobre o patrimônio e as alianças do deputado com gestões passadas. No PSD, aliados monitoram o risco de o ex-prefeito estar próximo do seu teto de votos devido à sua alta notoriedade.
Nas simulações de segundo turno, a distância entre os dois candidatos encurta em relação a alguns cenários de primeiro turno. Na Real Time Big Data, Paes tem 41% contra 30% de Ruas (11 pontos de diferença); na AtlasIntel, Paes marca 51,9% contra 38,2% de Ruas (13,7 pontos de margem).
Com a dianteira ainda mantida por Eduardo Paes fora da margem de erro, a disputa entra nas semanas decisivas sob o efeito da nacionalização política, cabendo a Ruas converter exposição em votos antes da ida às urnas.