Pesquisa mostra que rejeição a Bolsonaro e ao PT segue dividindo o eleitorado, aponta Quaest

A pesquisa Genial/Quaest de julho de 2026 registrou que 44% dos brasileiros afirmam rejeitar Jair Bolsonaro, enquanto 36% declaram rejeição ao PT. Os dois movimentos coexistem e continuam a influenciar a polarização do cenário político nacional.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 120 municípios, entre 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança. O estudo foi registrado no TSE sob o número BR-07181/2026.

O instituto perguntou aos entrevistados sobre o sentimento em relação ao PT e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre junho e julho, a parcela dos que afirmam rejeitar Bolsonaro subiu de 41% para 44%. Já o percentual dos que disseram não compartilhar desse sentimento caiu de 56% para 51%.

No mesmo período, a rejeição ao PT recuou de 38% para 36%. Os que afirmaram não rejeitar o partido permaneceram em 59%. Desde fevereiro, quando esse índice era de 42%, a tendência observada é de queda moderada.

Com esses números, a rejeição a Bolsonaro supera a rejeição ao PT em oito pontos percentuais. Os dados medem a identificação dos entrevistados com esses sentimentos e não representam intenção de voto nem rejeição eleitoral direta a candidatos.

Outro indicador do levantamento reforça a coexistência desses dois polos. Questionados sobre o que provoca mais medo, 46% citaram a volta da família Bolsonaro ao poder. Outros 38% apontaram mais um governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Oito por cento disseram temer os dois cenários, 4% afirmaram não temer nenhum e 4% não responderam.

Na avaliação individual, 57% afirmaram conhecer o senador Flávio Bolsonaro e disseram que não votariam nele. No caso de Lula, esse percentual ficou em 50%. Em uma simulação de segundo turno, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 37% de Flávio Bolsonaro.

Entre apoiadores do PT e da esquerda, os números são interpretados como um sinal de fortalecimento da rejeição ao legado de Jair Bolsonaro, que neste momento supera a rejeição ao PT. Integrantes desse campo político destacam o maior índice da série histórica e a redução da rejeição ao partido desde o início do ano.

Já entre aliados do bolsonarismo e da direita, o foco permanece na rejeição ao PT, ainda presente em 36% do eleitorado. A avaliação é de que esse sentimento continua funcionando como um fator de mobilização da oposição e limita o crescimento eleitoral do partido em parte do país.

Os resultados mostram que a rejeição a Bolsonaro atingiu o maior patamar da série histórica, mas não elimina a rejeição ao PT. Ao mesmo tempo, a rejeição ao partido recuou nos últimos meses, porém continua em um nível considerado relevante no debate político. Nenhum dos dois sentimentos alcança a maioria absoluta do eleitorado.

A pesquisa não detalha, nos recortes públicos disponíveis, variações completas por região, gênero, idade ou renda referentes ao levantamento de julho. Em rodadas anteriores da Genial/Quaest, a rejeição a Bolsonaro costumava ser mais elevada entre mulheres, enquanto a rejeição ao PT aparecia com maior intensidade em partes das regiões Sul e Sudeste. Esses padrões, porém, não foram detalhados na divulgação mais recente.

A metodologia seguiu o padrão das rodadas anteriores da Genial/Quaest, com entrevistas domiciliares presenciais, amostragem por conglomerados em três estágios, seleção de 120 municípios, aplicação de cotas demográficas e pós-estratificação.