Trump nega pagamento de US$ 300 bilhões ao Irã em acordo de paz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rechaçou categoricamente a informação de que o governo americano desembolsará US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) para a reconstrução do Irã após o fim do conflito entre os dois países. Apesar da cifra constar expressamente no documento preliminar de paz assinado nesta quarta-feira (17 de junho de 2026), Trump classificou a interpretação de que o dinheiro sairia dos cofres dos EUA como fake news.

A polêmica gravita em torno do Parágrafo 6 do chamado “Memorando de Entendimento de Islamabad”, firmado remotamente por Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. A cláusula estabelece que os EUA e “parceiros regionais” vão desenvolver um plano de desenvolvimento econômico e reconstrução para o Irã com “orçamento mínimo de US$ 300 bilhões”.

De onde virá o dinheiro?

A repercussão do texto na imprensa gerou forte controvérsia nos Estados Unidos, forçando a Casa Branca a detalhar o funcionamento do mecanismo financeiro. Na rede social Truth Social, Trump negou que os americanos pagariam a conta: “Não há nenhum pagamento de US$ 300 bilhões dos EUA ao Irã […] nós não vamos contribuir com 10 centavos”.

Autoridades americanas, incluindo o vice-presidente J.D. Vance, esclareceram como a estrutura desse fundo deve funcionar na prática:

  • Zero dinheiro público americano: O mecanismo não envolverá o dinheiro do contribuinte dos EUA. Ele está sendo desenhado como um veículo internacional de investimento, e não um programa de reparações pago por Washington.
  • Investidores estrangeiros: Os recursos devem vir do setor privado, de fundos soberanos de nações do Golfo Pérsico e de outros investidores globais (Europa, Ásia) interessados em setores como energia e infraestrutura. O papel dos EUA será conceder as licenças e isenções de sanções econômicas para permitir que essas transações ocorram legalmente.
  • Condicionalidade rigorosa: O Irã não receberá um “cheque em branco”. Os investimentos só entrarão no país se o regime de Teerã cumprir integralmente as obrigações do acordo final, o que inclui aceitar inspeções e desmantelar a infraestrutura capaz de criar uma arma nuclear.

O fim de quase quatro meses de guerra

O acordo diplomático marca a tentativa mais contundente de encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026, quando EUA e Israel realizaram ataques diretos contra instalações estratégicas no território iraniano. O documento atual estabelece um cessar-fogo imediato em todas as frentes incluindo as hostilidades no Líbano , a retirada de forças americanas das proximidades e o fim do bloqueio naval em até 30 dias.

Com isso, o Irã também se comprometeu a garantir a retomada segura da passagem de embarcações comerciais pelo estratégico Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento global de petróleo.

As delegações de Washington e Teerã agora têm um prazo inicial de 60 dias para transformar esse memorando de 14 pontos em um acordo definitivo. É durante essa janela que os negociadores terão que definir os pormenores técnicos do fundo bilionário, o alívio das sanções e as garantias sobre o programa de enriquecimento de urânio iraniano.