A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (3), uma operação para desarticular uma organização criminosa apelidada de “Máfia da Farinha”. A ação, coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), revelou uma aliança entre traficantes e milicianos para monopolizar o fornecimento de insumos à indústria panificadora em diversas comunidades fluminenses.
Ao todo, os agentes saíram para cumprir 14 mandados de busca e apreensão em bairros das Zonas Norte e Oeste da cidade. Durante as diligências, dois homens foram presos em flagrante.
Monopólio sob ameaça e pão mais caro
De acordo com as investigações da Draco-IE, o grupo criminoso expandiu a tradicional rede de extorsão que já envolvia serviços de internet, segurança e a venda de gás de cozinha para a alimentação básica. Integrantes da organização visitavam padarias, mercearias e mercados locais, obrigando os comerciantes a adquirirem sacas de farinha de trigo apenas de distribuidores indicados pela milícia e pelo tráfico.
Os comerciantes que tentavam negociar com fornecedores tradicionais ou buscar preços mais competitivos eram alvos de ameaças e violência física. Como os insumos da “máfia” eram vendidos por valores superfaturados, os padeiros se viram sem alternativa a não ser repassar o custo para o consumidor. O esquema resultou em um aumento artificial e expressivo no preço do pão, impactando diretamente o orçamento de famílias de baixa renda em áreas controladas pelo crime.
Estocagem e prisões em Campo Grande
O principal ponto de distribuição do grupo foi localizado no bairro de Campo Grande, na Zona Oeste. No endereço, os policiais civis encontraram um galpão de grandes proporções completamente lotado de sacas de farinha de origem controlada pelo grupo.
No momento da abordagem, dois homens que operavam no local foram detidos. O material foi apreendido e passará por perícia.
“A atuação do crime organizado sobre itens de primeira necessidade sufoca o pequeno comerciante e pune diretamente o cidadão mais vulnerável”, informou a polícia em nota, destacando que este tipo de monopólio configura crime contra a economia popular, além de extorsão e organização criminosa.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar os produtores e grandes distribuidores que alimentavam a rede clandestina, bem como para mapear o fluxo financeiro da lavagem de dinheiro obtido com o esquema.