Em agenda do G7, Durigan defende a forte taxação global de ultrarricos

O Brasil voltou a usar os holofotes internacionais para capitanear o debate sobre a redução das desigualdades econômicas globais. Durante viagem a Paris para participar de agendas paralelas e reuniões preparatórias do G7, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu publicamente a implementação de uma taxação internacional sobre as grandes fortunas.

A declaração ocorreu durante um colóquio promovido pela revista francesa Le Grand Continent, onde o ministro dividiu o painel com o economista Gabriel Zucman. Diretor do Observatório Fiscal Internacional, Zucman é o principal arquiteto da proposta que sugere a criação de um imposto mínimo global de 2% sobre o patrimônio de bilionários com mais de US$ 100 milhões.

Para Durigan, o G7 possui a força necessária para pautar o mundo sobre o tema, e o Brasil está disposto a encabeçar as tratativas. O ministro utilizou o cenário doméstico brasileiro como vitrine de viabilidade técnica e política.

“Se tiver espaço para discutir justiça tributária, eu sou o primeiro a topar”, declarou o ministro, destacando os recentes avanços do Brasil na taxação progressiva sobre os super-ricos, medida que buscou corrigir distorções no sistema de arrecadação nacional.

Resistências no cenário global

Apesar do forte apelo social e do esforço diplomático brasileiro uma continuidade da agenda estabelecida durante a presidência do país no G20 , a proposta de Zucman e do governo brasileiro enfrenta forte oposição.

As negociações esbarram na resistência histórica de potências econômicas, como os Estados Unidos. Na própria França, que sedia os atuais debates, iniciativas semelhantes de taxação sobre grandes riquezas foram recentemente rejeitadas pelo Senado local, evidenciando o desafio de unificar as políticas fiscais entre as maiores economias do planeta.

Minerais Críticos e Inteligência Artificial

A passagem de Durigan pela Europa não se restringiu à política fiscal. A comitiva brasileira aproveitou o fórum para fortalecer a posição do Brasil nas novas cadeias globais de valor, com foco na transição ecológica e na tecnologia.

O ministro buscou posicionar o país como um parceiro estratégico, seguro e ambientalmente responsável para o Ocidente no fornecimento de minerais críticos elementos como nióbio, lítio e terras raras, fundamentais para a fabricação de baterias e tecnologias limpas. O movimento visa atrair investimentos europeus e oferecer uma alternativa à dependência global da China nesse setor.

A agenda oficial incluiu, ainda, a diplomacia tecnológica. Durigan participou de reuniões voltadas ao desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), incluindo encontros bilaterais com a ministra-delegada para IA da França, Anne Le Hénanff, e com Arthur Mensch, CEO da Mistral AI, uma das principais startups europeias do segmento.