Flávio Dino manda investigar emendas ligadas a filme de Bolsonaro

O Supremo Tribunal Federal abriu uma investigação sigilosa para analisar a destinação de emendas parlamentares enviadas a organizações ligadas ao universo audiovisual responsável pela produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão partiu do ministro Flávio Dino e amplia o debate em Brasília sobre o uso de recursos públicos por entidades privadas com atuação cultural e política.

O caso ganhou força após parlamentares da oposição questionarem o envio milionário de verbas para instituições conectadas à produtora encarregada da cinebiografia “Dark Horse”, longa que pretende retratar os bastidores da ascensão política de Bolsonaro. Entre os pontos investigados estão possíveis irregularidades na aplicação das emendas e eventual desvio de finalidade dos recursos federais.

As suspeitas recaem sobre transferências destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, entidades associadas ao mesmo grupo da produtora audiovisual Go Up Entertainment. Parlamentares citados no processo negam qualquer repasse direto para a realização do filme e afirmam que os recursos tinham finalidade institucional e cultural.

Nos corredores do Congresso, o episódio provocou reação imediata de aliados e adversários do ex-presidente. O caso também ganhou novos contornos após a divulgação de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre possíveis formas de financiamento da produção cinematográfica. O parlamentar afirmou que as conversas tratavam apenas de apoio privado ao projeto.

A investigação seguirá sob sigilo e deverá reunir documentos bancários, contratos e registros de execução das emendas parlamentares destinadas às organizações citadas. Integrantes do STF avaliam que a apuração pode servir como referência para futuras ações envolvendo rastreamento de verbas públicas aplicadas em projetos culturais e audiovisuais.