Alunos na escola: programa Pé-de-Meia reduz evasão em 43% no ensino médio

O silêncio das salas de aula vazias sempre contou uma história conhecida no Brasil: a de jovens que, antes de concluir o ensino médio, precisaram trocar os estudos pelo trabalho, pela sobrevivência ou pela falta de perspectiva. Nos últimos dois anos, no entanto, esse cenário começou a mudar de forma significativa com a implementação do programa Pé-de-Meia.

Criado pelo governo federal em 2024, o programa introduziu uma lógica simples, porém transformadora: oferecer incentivo financeiro para que estudantes permaneçam na escola. A iniciativa atende alunos da rede pública, especialmente os de baixa renda, com o objetivo de reduzir a evasão escolar um problema histórico no país.

Os resultados começam a revelar o alcance dessa estratégia. Em apenas dois anos, o abandono no ensino médio caiu 43%. A taxa, que antes era de 6,4%, recuou para 3,6%, indicando que milhares de jovens deixaram de abandonar a escola no meio do caminho.

Mas os efeitos vão além da permanência. A reprovação também diminuiu, com queda de 33%, enquanto o atraso escolar quando o aluno está fora da série adequada para sua idade apresentou redução de cerca de 27%. No terceiro ano do ensino médio, essa melhora foi ainda mais acentuada, chegando a 63%.

O programa já alcança aproximadamente 5,6 milhões de estudantes, mais da metade dos alunos do ensino médio público brasileiro. Para sustentar essa política, foram investidos cerca de R$ 18,6 bilhões entre 2024 e 2025.

Na prática, o Pé-de-Meia atua onde muitas políticas educacionais falharam: na raiz do problema. Para grande parte dos jovens, abandonar a escola não é uma escolha, mas uma necessidade. A urgência de ajudar financeiramente a família ou de ingressar precocemente no mercado de trabalho acaba interrompendo trajetórias educacionais.

Ao garantir uma renda vinculada à frequência e ao desempenho escolar, o programa reposiciona a escola como uma prioridade possível. Somando os incentivos pagos ao longo do período, os depósitos anuais e um bônus adicional de R$ 200 destinado aos estudantes que participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o valor total recebido pode alcançar até R$ 9,2 mil por aluno.

Para participar do programa, não é necessário realizar uma inscrição direta em um site específico. O estudante precisa estar matriculado no ensino médio da rede pública, ter entre 14 e 24 anos e fazer parte de uma família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). A inclusão no Pé-de-Meia ocorre automaticamente a partir do cruzamento de dados do governo.

Mesmo assim, é importante manter as informações atualizadas. O cadastro pode ser feito ou atualizado no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo. Além disso, o estudante pode acompanhar os pagamentos e verificar se foi incluído no programa por meio do aplicativo Caixa Tem ou pelo aplicativo Jornada do Estudante, onde também é possível consultar informações escolares e benefícios.

Ainda é cedo para medir todos os impactos de longo prazo, mas os dados iniciais indicam uma mudança concreta: menos cadeiras vazias, mais alunos avançando e uma nova perspectiva para milhares de jovens que, agora, têm mais condições de chegar até o fim da educação básica.

Se antes a evasão escolar parecia um destino quase inevitável para muitos, o Pé-de-Meia começa a mostrar que políticas públicas bem direcionadas podem reescrever esse roteiro.