Brasília — O julgamento que marcou uma das páginas mais sensíveis da política brasileira teve novo capítulo nesta semana. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal fixou em 76 anos e 3 meses de prisão a pena dos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.
A decisão consolida o entendimento da Corte de que o crime foi resultado de planejamento estruturado, com divisão de tarefas e articulação entre agentes públicos e integrantes de organização criminosa. Os ministros consideraram que o duplo homicídio teve motivação política e representou uma tentativa de silenciar a atuação parlamentar da vereadora.
Durante a sessão, foram citadas provas técnicas, registros telefônicos e depoimentos que, segundo o colegiado, demonstraram a cadeia de comando por trás do atentado. A pena elevada reflete a soma das condenações por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa.
O julgamento reforça o peso institucional do caso, tratado como símbolo do enfrentamento à violência política no país. Ainda cabem recursos por parte das defesas, mas a decisão do Supremo estabelece um marco definitivo na responsabilização dos acusados apontados como mandantes do crime.
As penas dos condenados ainda serão definidas em sessão posterior do Supremo.