Uma condenação no STJ, três vagas no TCE e um tabuleiro político em ebulição no Rio

A condenação do conselheiro José Gomes Graciosa pelo Superior Tribunal de Justiça não é apenas mais um capítulo judicial envolvendo o Tribunal de Contas do Estado. É, sobretudo, o gatilho que escancarou um jogo de poder que já vinha sendo montado silenciosamente nos bastidores da política fluminense.

A perda do cargo, confirmada nesta quarta-feira (4), abriu oficialmente a temporada de articulações por uma cadeira no TCE, um dos postos mais cobiçados da República fluminense. Não pelo salário ou pelo status, mas pela combinação rara de estabilidade, influência e poder institucional que o tribunal concentra.

A movimentação foi imediata. O Palácio Guanabara tem um nome pronto, alinhado e testado: Rodrigo Abel, secretário-chefe do Gabinete do governador Cláudio Castro. A Assembleia Legislativa, como sempre, não pretende ser figurante. E o PL, hoje a maior força partidária do estado, entrou no jogo com um sobrenome que ganhou peso real desde que Guilherme Delaroli assumiu interinamente o comando da Alerj.

Nada disso, porém, acontece no vácuo.

A vaga de Graciosa é apenas a primeira de três que devem surgir no TCE em curto espaço de tempo. E, como em todo jogo político, a ordem das jogadas importa tanto quanto as peças disponíveis. Quem indica primeiro dita o ritmo. Quem espera demais perde espaço.

Por trás dessa disputa está uma negociação ainda mais sensível: a escolha do nome que comandará o Palácio Guanabara até dezembro, em eleição indireta na Assembleia. É aí que o Tribunal de Contas deixa de ser apenas um órgão técnico e passa a ocupar lugar central no xadrez do poder.

No Rio de Janeiro, cargos nunca são apenas cargos. São sinais, acenos e garantias de sobrevivência política. A cadeira no TCE virou símbolo disso: um ativo estratégico em um momento de transição, fragilidade institucional e rearranjo de forças.

A condenação veio do Judiciário, mas os efeitos são integralmente políticos. E, como quase tudo no Rio, o desfecho não será decidido apenas no plenário, nem do tribunal, nem da Alerj.