Velha guarda x Nova Guarda: Quais serão os nomes para as eleições de 2026 do clã Cozzolino?

Poucas famílias políticas no estado do Rio de Janeiro carregam um peso histórico tão marcante quanto os Cozzolino. Em Magé, o sobrenome atravessa gerações, administrações, disputas judiciais, vitórias eleitorais e recuos estratégicos. Às vésperas das eleições de 2026, o grupo volta ao centro do debate político, agora diante de um cenário que mistura tradição, rearranjos internos e ambições que ultrapassam os limites do município.

Um dos movimentos mais interessantes e que chamou a atenção ocorreu em setembro, quando o presidente estadual do MDB, Washington Reis, anunciou a filiação de Charles Cozzolino ao partido. A entrada de Charles no MDB tem endereço certo: a disputa por uma vaga de deputado estadual em 2026. O gesto é interpretado como mais uma jogada estratégica de Washington Reis, que permanece ativo no cenário político e articula seu nome para uma possível candidatura ao governo do Estado. Ao atrair Charles, Reis amplia seu arco de alianças na Baixada Fluminense e se aproxima de um grupo com histórico eleitoral consolidado.

Charles, que já foi prefeito de Magé e deputado federal, retorna ao jogo eleitoral em um contexto peculiar dentro da própria família. Ele deve disputar o mesmo cargo que o sobrinho, Vinicius Cozzolino, que buscará a reeleição para a Assembleia Legislativa. A dobradinha, embora apresentada publicamente como sinal de força, causa estranhamento nos bastidores. Dois candidatos do mesmo núcleo familiar, convivendo com disputas internas desde o retorno dos Cozzolino ao Executivo municipal, expõem uma divisão que até então era tratada com discrição.

Internamente, a leitura é de que a convivência eleitoral entre tio e sobrinho exigirá um controle rigoroso de bases, apoios e discursos. O que poderia ser uma estratégia de soma pode, dependendo da condução, aprofundar tensões antigas e transformar a campanha em uma disputa silenciosa por espaço e protagonismo dentro do próprio grupo.

Enquanto isso, Jamile Cozzolino, atual vice-prefeita, segue sendo apontada como possível candidata à Câmara Federal. Seu nome simboliza a tentativa de projeção nacional da nova geração da família, apostando em uma imagem menos ligada a conflitos históricos e mais associada à continuidade administrativa com renovação de discurso. A candidatura, se confirmada, colocará Jamile diante de um desafio maior: romper as fronteiras políticas de Magé e se viabilizar em um cenário federal altamente competitivo.

Outro movimento que chama atenção é o de Renato Cozzolino, atual prefeito de Magé. Seu nome tem circulado como possível opção para compor uma chapa majoritária ao governo do Estado, o que elevaria o patamar de ambição política da família. A hipótese revela confiança no capital político acumulado nos últimos anos, mas também expõe riscos, já que uma candidatura estadual exigiria desempenho administrativo consistente e articulação além da base municipal.

Na chamada velha guarda, Núbia Cozzolino mantém presença constante nas ruas, sobretudo em regiões onde realizou obras durante seus mandatos como prefeita. A estratégia de resgate de memória política segue ativa, mesmo com os processos judiciais ainda em curso, que continuam sendo um fator de desgaste e limitação para qualquer retorno mais direto ao poder.

O cenário que se desenha é o de uma família politicamente viva, mas longe de uma unidade plena. As movimentações recentes indicam que o clã Cozzolino aposta em múltiplas frentes, diferentes partidos e projetos paralelos, numa tentativa de manter influência em um ambiente cada vez mais fragmentado. Ao mesmo tempo, a presença de disputas internas, agora mais evidentes, levanta dúvidas sobre até que ponto essa estratégia conseguirá se sustentar sem custos políticos.

Em 2026, mais do que medir a força de um sobrenome, o eleitor de Magé e do estado do Rio de Janeiro será convidado a avaliar se tradição, ambição e divisão interna podem coexistir em um mesmo projeto político. Para os Cozzolino, o desafio não será apenas vencer eleições, mas provar que ainda conseguem caminhar juntos em um jogo que se tornou mais complexo e menos previsível.