PM da reserva e irmão de prefeito: quem é Guilherme Delaroli, o novo presidente da Alerj

Vice-presidente da Casa assume o comando do Legislativo fluminense em meio à tensão política provocada pela prisão de Rodrigo Bacellar pela Polícia Federal.

Com a prisão preventiva do deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil) na manhã desta quarta-feira (3), a presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) passou a ser ocupada interinamente pelo deputado estadual Guilherme Delaroli (PL). O parlamentar, que exercia a função de 1º vice-presidente da Mesa Diretora, conduziu a sessão plenária desta tarde em um clima de apreensão e cautela, sem citar diretamente os eventos policiais do dia.

A ascensão de Delaroli ao posto máximo do legislativo estadual coloca em evidência um político de perfil discreto, mas com forte base eleitoral na Região Metropolitana e vínculos profundos com a segurança pública.

Quem é Guilherme Delaroli

Guilherme Jandre Delaroli, 50 anos, cumpre seu primeiro mandato como deputado estadual. Eleito em 2022 pelo Partido Liberal (PL), ele surpreendeu ao ser o 6º candidato mais votado do estado, conquistando mais de 114 mil votos.

Sua trajetória é marcada por dois pilares principais: a carreira militar e a influência política familiar na região leste fluminense.

Origem e Família: Natural de São Gonçalo e criado em Maricá, Guilherme pertence a um clã político influente. Ele é irmão de Marcelo Delaroli, atual prefeito de Itaboraí, e filho de José Delaroli, ex-vereador de Maricá por quatro mandatos.

Carreira Militar: Antes de ingressar na política legislativa, Delaroli construiu carreira na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), onde é militar da reserva. Essa experiência moldou sua atuação parlamentar, frequentemente alinhada às pautas da chamada “bancada da bala”.

Atuação Pública: Antes de chegar à Alerj, atuou no executivo municipal como coordenador-geral de projetos da Prefeitura de Itaboraí, durante a gestão de seu irmão.

Perfil Parlamentar e Pautas

Na Alerj, Delaroli ocupa posições estratégicas. Além da 1ª vice-presidência, para a qual foi reeleito em fevereiro de 2025 na chapa encabeçada por Bacellar, ele preside a Comissão de Obras Públicas e é membro titular da poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão de Segurança Pública.

Suas bandeiras legislativas priorizam:

Infraestrutura: Foco em obras para a Região Metropolitana, especialmente Itaboraí e São Gonçalo.

Segurança Pública: Defesa de interesses de agentes de segurança e políticas de endurecimento penal.

Conservadorismo: Alinhado ao PL, mantém postura conservadora nos costumes e liberal na economia.

Em fevereiro de 2024, seu nome ganhou destaque ao votar a favor da manutenção do mandato da deputada Lucinha, que havia sido afastada pela Justiça por suspeita de ligação com milícias, seguindo a orientação majoritária da Casa na época.

O Contexto da Posse

A mudança no comando da Alerj ocorre no âmbito da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. Rodrigo Bacellar foi preso sob suspeita de vazar informações sigilosas da Operação Zargun, que investigava o ex-deputado TH Joias e de manter conexões políticas visando benefício eleitoral em áreas dominadas pelo crime organizado.

Como presidente interino, Delaroli enfrenta agora o desafio de manter a governabilidade da Casa e conduzir o processo que decidirá sobre a manutenção ou revogação da prisão de seu antecessor, uma prerrogativa garantida às assembleias legislativas estaduais pelo STF.

Até o fechamento desta reportagem, Delaroli manteve a normalidade dos trabalhos legislativos, evitando declarações públicas sobre o mérito das acusações contra Bacellar, sinalizando uma postura de “esperar para ver” enquanto a Casa aguarda a notificação oficial do Judiciário.