A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu um pastor apontado como intermediador do Comando Vermelho em um esquema de extorsão contra empresas instaladas no entorno da Refinaria Duque de Caxias. A ação ocorreu nesta quinta-feira e integra a Operação Refinaria Livre, que também resultou na prisão de outros dois integrantes do grupo criminoso.
A investigação indica que a quadrilha era comandada por Joab da Conceição Silva, chefe do tráfico na região. Segundo a Polícia Civil, empresas eram obrigadas a pagar mensalidades ao crime sob ameaças de incêndio de caminhões, agressões a funcionários e interrupção forçada de atividades. Mandados de prisão temporária e de busca e apreensão foram expedidos para aprofundar a coleta de provas e impedir interferências nas investigações.
O governador Cláudio Castro afirmou que o Estado continuará atuando para reprimir organizações criminosas que tentam exercer controle territorial e econômico sobre o setor produtivo. Ele destacou que a prisão dos suspeitos representa um avanço no enfrentamento à extorsão na Baixada Fluminense.
De acordo com o inquérito, o pastor se apresentava às empresas como representante comunitário, mas seguia ordens diretas de Joab. Ele impunha regras como restrições ao estacionamento de caminhões e exigências de contratação de moradores ligados ao tráfico, usando a justificativa de mediação de conflitos para pressionar empresários.
Documentos oficiais, relatos de trabalhadores e registros do Ministério do Trabalho apontam que empresas chegaram a interromper suas operações por dias devido às ameaças. A Polícia Civil identificou ainda que sindicatos e associações de fachada eram utilizados pelo tráfico para influenciar contratações, inserir aliados em processos seletivos e cobrar vantagens indevidas.
Entre os contratados identificados pelo grupo está a companheira de Joab, admitida em uma empresa sem critérios técnicos pouco antes do ataque à 60ª DP, em fevereiro de 2025, atribuído ao traficante.
O pastor preso também já havia sido detido no início do mês em Minas Gerais, durante a Operação Aves de Rapina. Ele transportava uma pistola, granadas artesanais e dinheiro em espécie, além de admitir que levaria explosivos de Duque de Caxias para ações de intimidação na Refinaria Gabriel Passos. No veículo, também estava o presidente de uma associação ligada ao setor de transporte de combustíveis, o que reforça o envolvimento de representantes formais na estrutura criminosa.
A apreensão de explosivos confirma o risco oferecido pelo grupo ao ambiente industrial e ao transporte nacional de combustíveis, segundo a Polícia Civil.