A corrida pelo governo do Rio de Janeiro em 2026 já começou, mesmo com mais de um ano pela frente até as eleições. Três nomes despontam como protagonistas dessa disputa precoce: o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o ex-secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB). Os movimentos nos bastidores e ações públicas indicam um cenário político aquecido e polarizado.
Rodrigo Bacellar: poder institucional e apoio bolsonarista
Rodrigo Bacellar assumiu o governo interinamente por dez dias durante as férias do governador Cláudio Castro e utilizou o período para ampliar sua visibilidade política. Com agendas em Campos e no Norte Fluminense, mostrou disposição para ser o nome da continuidade do atual governo.
Bacellar conta com o apoio de parte significativa da base aliada, incluindo o PL e setores bolsonaristas, e é visto como o sucessor natural de Castro. O movimento mais emblemático foi a exoneração de Washington Reis da Secretaria de Transportes, numa clara demonstração de força e reconfiguração de poder dentro do Executivo estadual.
Washington Reis: pré-candidatura sob risco jurídico
Mesmo inelegível por decisão do STF, Washington Reis se lançou como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro. A decisão de sair do governo Castro, onde ocupava cargo de secretário, veio após pressões e disputas internas, principalmente com Bacellar.
Com forte base eleitoral em Duque de Caxias, cidade que já governou, Reis tenta consolidar sua candidatura com apoio de parte do MDB e do eleitorado evangélico. Sua equipe articula inclusive a presença de Jair Bolsonaro no lançamento oficial de sua pré-campanha, apostando na retomada do bolsonarismo raiz na Baixada Fluminense.
Contudo, sua inelegibilidade continua sendo o maior entrave, e a possibilidade de ser barrado pela Justiça Eleitoral pode inviabilizar sua candidatura.
Eduardo Paes: o nome forte do centro
Reeleito prefeito do Rio em 2024, Eduardo Paes nega publicamente qualquer intenção de disputar o governo estadual. Apesar disso, tem feito movimentos que indicam um protagonismo cada vez maior na política fluminense.
Recentemente, Paes apareceu ao lado de Washington Reis em agendas na Baixada, o que gerou especulações sobre um possível apoio ou, até mesmo, uma mudança de planos visando 2026. Com perfil mais moderado e alinhamento com o governo federal, Paes pode atrair o centro e setores da esquerda, caso decida entrar na disputa.
Três projetos distintos para o Rio
A antecipação da corrida pelo Palácio Guanabara revela três projetos distintos de poder:
- Rodrigo Bacellar representa a continuidade de Cláudio Castro, com forte articulação institucional e apoio do bolsonarismo;
- Washington Reis tenta resgatar sua força política regional, apesar dos obstáculos jurídicos;
- Eduardo Paes surge como possível opção moderada, mesmo que ainda não declare intenção de concorrer.
A disputa pelo governo do Rio de Janeiro em 2026 deve ser uma das mais polarizadas dos últimos anos. Com alianças em formação, rivalidades à flor da pele e interesses regionais em jogo, o cenário político fluminense promete capítulos intensos nos próximos meses.
O que hoje é pré-campanha, em breve se tornará confronto direto nas urnas. A consolidação de cada nome dependerá não apenas da articulação política, mas também de decisões jurídicas, apoio popular e, principalmente, da capacidade de oferecer um projeto viável para o futuro do estado.